Irmãs Missionárias Capuchinhas e Claretianas celebrando os 40 anos do CIMI à luz do bem viver
A profecia do Bem Viver frente ao Modelo Desenvolvimentista
“A profecia do Bem Viver frente ao Modelo Desenvolvimentista” foi o tema da 38ª Assembléia do Conselho Indigenista Missionário do Regional Mato Grosso, realizada entre os dias 23 a 27 de julho de 2012 em Chapada dos Guimarães (MT), na Casa de Formação “Simão Bororo”. O encontro teve como assessor D. Erwin Kräutler, Bispo da Prelazia do Xingu, do Pará e Presidente Nacional do CIMI. O encontro reuniu aproximadamente 40 missionários e missionárias leigos (as) e religiosos (as). Também se fizeram presentes a Pastoral da Criança na pessoa de Eurípia de Farina Silva, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) através do Pe. Paulo Cesar Moreira Santos e Cristiano Cabral e a Operação pela Amazônia Nativa (OPAN) por Sayonára Silva; As Missionárias Capuchinhas representadas pela Ir. Benvenuta Maria – Superiora Geral – e Ir. Maria Josefa Vasconcelos – Conselheira; Os Bispos: D. Juventino Kestering da Diocese de Rondonópolis, referencial do CIMI para a CNBB em Mato Grosso e D. Vidal Chitolina da Diocese de Diamantino.
Na vivência desses dias a recordação da vida e da história teve lugar em vários momentos especialmente nas Celebrações Eucarísticas em que os participantes fizeram memória das pessoas que dedicaram e dedicam sua vida à causa indígena como o missionário, professor, historiador e lutador Antônio Brand que muito contribuiu com o povo Guarani Kaiowá e a Valnete Rondon Moreira (etnia Karajá), conhecida como Pretinha, exemplo de liderança jovem que muito lutou pela garantia dos direitos de seu povo no setor da saúde (Conselheira Distrital e depois Presidente do CONDISI) na antiga Funasa, em São Félix do Araguaia e no setor da educação (como professora e diretora) na escola de sua aldeia Itxialá. A estes incansáveis lutadores registrou-se o reconhecimento e o respeito, pelo sonho e a paixão com que se dedicaram à Causa Indígena.
A Assembléia foi norteada pelas perspectivas da memória, da avaliação, da celebração dos 40 anos e da projeção destes na caminhada e na atuação do CIMI junto aos povos indígenas. E, sob à luz do SumaK Kawsay, o Bem Viver, que pauta o seu sistema de vida nas práticas da partilha, da reciprocidade, da coletividade, da integração e do respeito com as pessoas e com a natureza. Enfim, das experiências ancestrais nutriu-se a esperança nesta utopia que deve ser construída por todos aqueles e aquelas que evidenciam atitudes de justiça, igualdade e fraternidade. Trata-se de uma proposta cuja vivencia e convivência se contrapõe ao modelo desenvolvimentista e à noção de crescimento imposta a todas as sociedades, uma vez que esta se constitui pela exploração, apropriação e usurpação dos bens naturais: a terra, as águas, a natureza e as florestas tão necessárias à vida de todos os seres habitantes do planeta, as pessoas, os povos, os animais, os vegetais, o meio ambiente.
Frente aos desafios desse modelo de morte e seus efeitos na vida dos povos indígenas, nas suas organizações e na execução plena dos seus direitos, os missionários e missionárias do CIMI reafirmaram o compromisso de continuarem a luta em defesa da VIDA E DOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS e de modo particular no assumir a Campanha contra o agrotóxico, alicerçados no legado evangélico do Anúncio, do Testemunho, do Serviço e do Diálogo. É com está convicção que o CIMI projeta-se a celebrar outros 40, 50, 80 anos sempre de pé e na caminhada. E assim, parafraseando o nosso esperançoso D. Pedro Casaldáliga “Podem nos roubar tudo, menos a fiel ESPERANÇA”.

